PENSO, LOGO CREIO
Percebo que o meio religioso não estimula o pensamento e a boa dúvida que busca por boas respostas, e muitos cristãos parecem crer por um sentimento próximo do misticismo. Talvez, um resultado das antigas práticas medievais que exigiam a obediência incondicional e puniam os sábios com juras de sofrimento eterno. Creio que a fé nestes moldes, mesmo cristã, traga apenas angústia e sensação vívida de punição iminente; uma fé que pesa sobre os ombros, que julga, que fragiliza a nossa mente; fé que não liberta, mas leva-nos ao cativeiro do medo. Tal religiosidade agrada à Deus? Crer por imposição é o que Deus quer de nós?
À imagem de Deus fui criado, eis que Ele mesmo é um ser pensante, conhecedor de toda a verdade, e, malgrado as minhas limitações, também penso e busco conhecer a verdade mediante observações da realidade e com a filosofia. Se Deus não nos quisesse racionais, não reduziria nossa condição à dos animais? Mas já o primeiro homem pensava, decidia, ainda que não detivesse o pleno conhecimento do bem e do mal (que veio adquirir após cometer o primeiro pecado). Se penso, por que deveria crer sem pensar? Se penso, por que deveria me submeter, passivamente, aos magistérios humanos?
Não me convém, é claro, duvidar do amor de Deus, da soberania de Deus ou, pior, da verdade e da existência de Deus. Pois, se penso e observo a realidade, percebo que Deus cercou-me de evidências de Seu amor e de Seu poder. Em Salmos 19, lemos: Os céus declaram a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das suas mãos. A criação me espanta, desperta-me grande admiração! Observo os montes e o mar, o pôr-do-sol e as estrelas; sinto-me pequeno, mas amado, pois estou cercado de grandeza e de beleza. Observo também meu próprio corpo, respiro, levanto um braço quando quero, percebo que estou vivo. Como posso funcionar de forma tão ajustada? Se questiono a existência do Deus todo-poderoso, de que forma explicarei minha própria existência, bem como todas as coisas que posso ver e sentir? Qual teoria pode negar a Deus e, realmente, explicar tudo o que existe?
Percebo, também, que tenho o conhecimento das leis de Deus e distingo do bem e do mal sem necessidade de instrução constante. Quando decido por praticar o mal, não o faço por desconhecer o bem, mas, sim, por preferir o que é mal pelo pecado que habita em mim. Sei que fui instruído por meus pais e pelas pessoas que conviveram comigo, mas nem tudo me foi ensinado desta forma. Quem me orienta do pecado e me alerta até mesmo da simples aparência do mal? E quem escreveu todas as leis que estão gravadas na minha mente e no meu coração? Pondero que o Criador conhecia a humanidade antes mesmo de havê-La criado; e, assim, dotou a Terra de todos os elementos indispensáveis à vida. E quando o homem veio a existir, mesmo sem pecado, já conhecia de suas funções e de seu propósito, pois as leis de Deus foram impressas indelevelmente em seu coração, de forma que nem o pecado pôde apaga-las. Quais leis? De amor à Deus sobre todas as coisas (pois Ele é soberano sobre tudo o que há nos Céus e na Terra) e de amor ao próximo como a si mesmo (pois, se não amo ao próximo, também não serei amado e certamente sofrerei).
Como posso, ainda, compreender a revelação de Deus sobre si mesmo, através das Escrituras? Entendo que o pecado entrou no mundo através do homem, corrompendo a maravilhosa criação de Deus e trazendo a morte a todas as criaturas. E a humanidade se afastou de Deus de forma inexpugnável; mas Deus nos amou ao ponto de enviar Seu Filho, Jesus Cristo, para que, vindo ao mundo como homem, padecesse como nós, morresse para carregar os nossos pecados e ressuscitasse para a nossa justificação. O Deus que se sacrifica, o homem que ressuscita; tais verdades não deveriam ser loucura para mim? Mas, mesmo quando questiono todas essas coisas, observo os discípulos de Jesus Cristo, que, então tristes e desistentes após a morte de Seu mestre, de súbito entregaram suas próprias vidas por amor ao evangelho. O que poderia tê-los movido a tanto, senão a ressurreição de Jesus Cristo, testemunhada por eles e por centenas de pessoas daqueles tempos, e confirmando as profecias? E o que poderia ter mantido esta igreja - edificada sobre a pedra angular que os "construtores" (líderes religiosos) rejeitaram: Jesus Cristo - até os dias de hoje, séculos e séculos após a morte dos apóstolos, senão o Espírito Santo de Deus?
Observo, finalmente, que minha fé é racional. Que não me foi imposta pelo medo e pela doutrinação. Que não me prosto diante de esculturas construídas por mãos humanas, não me submeto aos rituais religiosos ilógicos, não adoro à natureza criada, mas ao Criador de todas as coisas. Percebo que as Escrituras citam fatos registrados pela história; que apresenta respostas às minhas dúvidas mais profundas e uma filosofia muito melhor e mais sólida do que toda a minha filosofia e capaz de transformar meu próprio ser. Creio porque penso; e quanto mais penso, maior a minha fé, pois, buscando por respostas e por conhecimento de Deus, recebo todas essas coisas pela iluminação do Espírito Santo.